segunda-feira, 16 de setembro de 2013

Além da força

Por que cansa?
Por que manca?
Por que cai?
Caiu como?
Dói?
Dá a mão para eu te ajudar!
Pega?
Seu filho tem problema?
Sua filha é inteligente?
Ele vai comer o quê?

Você sempre foi assim?
Piorou?
Melhorou?
Sara?
Tem cura?
Pega?
É genético?
Você pode beber?
Pode transar?
Você sente as pernas?
Vai prá escola? Assim?
Vai prá faculdade?
Mestrado?
Pode trabalhar?
E se ficar apaixonado?
Faz fisio?
Este aparelho é oxigênio?
Como você pegou isso?
Como começou?
Antes você andava?
Pode ter filhos?
As notas sao boas?
Qual proteína?
Tem certeza que não é manha?
Tem certeza do amanhã?

17 de SETEMBRO
Dia Nacional da Conscientização sobre as Distrofias Musculares



quarta-feira, 13 de fevereiro de 2013

Acredita?

Caramba... essa renúncia do Papa deu origem a um horário eleitoral inesperado.
Já tem aposta, preparação de contagem de votos, um puta tempo desse assunto na imprensa, que engrena a notícia do Vaticano voltar a aceitar cartões de crédito. 


Meus deus!


Isso tudo me lembra a música do Gil:
 "Ele diz que faz, que faz tudo isso em nome de Deus
como um Papa na inquisição
nem se lembra do horror da noite de São Bartolomeu
não, não lembra de nada não

Não lembra de nada, é louco
mas não rasga dinheiro
promete a mansão no paraíso
contanto, que você pague primeiro
que você primeiro pague o dinheiro"
 

sábado, 8 de setembro de 2012

Fundamentos


Pode a maleabilidade dos limites se apresentar ao longo da vida?
Quão flexível será o material que estrutura primariamente o ser?
Ambivalência originária temos nós: a fragilidade egóica é proporcionalmente presente à dureza de nossos muros. Sejam esses barreiras institucionais, sejam aprisionamentos existenciais. 

sexta-feira, 7 de setembro de 2012

A soma da subtração

O suprimido é isto, se historifica, é fotografia de ontem, é ausência na imagem de hoje e sempre uma possibilidade.

terça-feira, 7 de agosto de 2012

São (mas nem tanto) Sebastião




De poucas lembranças da infância meu hoje é contemplado. O meu hoje é contemplado. O passado se anovela entre não saberes, entre incertezas se o que me vêm à mente foi vivido ou inventado.

Conservada em algum lugar e trazida à consciência, tomo a imagem da areia de cor bege, em um tom que acalma, eu poderia até mesmo apontar esse bege em uma escala Pantone. 

Posso sentir a umidade da areia e a maresia, o barulho que o mar faz, não somente no quebrar das ondas, mas desde quando se prepara para formá-las. 
O mar rouba a água que emprestou há pouco àquela faixa de areia, esse arrependimento tem um som, pronunciado quando arrasta o líquido com autoridade, mal conseguimos nos despedir da sensação gelada, ficam somente os pés afundados e o olhar para o mar pedindo mais, mais água, mais espuma, mais furinhos na areia, agora mais escura.

Posso sentir o medo de receber do mar algum bicho, escondido, rejeitado. Lembro-me da risada quando os siris apareciam. Adorava o esconde esconde nas tocas camufladas. A surpresa vinda do solo, a sensação de que as pessoas ocupavam um espaço que não era do homem, era do mar e daqueles siris. 

É pueril o fascínio por tudo isso, meu encanto por praia é uma memória deliciosa da minha vida, muito embora eu tenha minhas dúvidas se é memória ou invenção, uma viagem inventada ao passado. Uma viagem litorânea, ilhada, descolada da gente, do continente. 

Preciso tanto do real que desconfio dessas lembranças, mas são tão vívidas que podem passar sim por este crivo tão crítico que me acompanha. Afinal este amar o mar não é fanático, é neurótico. 
E os siris estavam lá.

segunda-feira, 16 de abril de 2012

O prazer é seu!

Não tem jeito, estamos sempre em busca de prazer!

O prazer é algo que se passa em cada um de nós, apenas. Embora tenhamos a necessidade de compartilha-lo, embora muitas vezes sentimos prazer porque outra pessoa está, por exemplo, feliz, o prazer é algo que sentimos muito individualmente.

O prazer gratuito, aquele que acontece sem qualquer esforço é igualmente interessante, ou melhor, igualmente prazeroso. Bom, “igualmente” pode ser contestado, cada um sente a seu modo, mas prazer inesperado é muito bom mesmo.

Tem o prazer pelo qual batalhamos, uma nota boa após ter estudado bastante, ou o prazer ao ver que os números apontados na balança são absolutamente compatíveis com o esforço de uma dieta. Tem o prazer de uma promoção no trabalho, de aprender uma coisa nova, de nadar no mar, de viajar, de ficar em casa, de comer um brigadeiro, uma fruta, de ganhar uma competição, de finalizar uma maratona, de pertencer a algo.

Tem também o prazer vindo como "recompensa", voltando ao assunto “dieta”, tema o qual me sinto absolutamente confortável para falar, porque convivo com esta questão desde que me conheço por gente, uma vida de alegrias, angústias, tristezas e prazer; enfim, se a balança é bacana, podemos ter o prazer de ultrapassar alguns limites ou - vejam como prazer é subjetivo! - de fazer uma dieta ainda mais severa e esperar por números ainda mais simpáticos na balança. Deste modo adiaríamos o prazer imediato, o que, convenhamos, requer esforço, disciplina, maturidade, esse tipo de personalidade tem minha total admiração! Puxa, não é fácil! Assim como o prazer em economizar, isso requer planejamento e foco, vale a pena aprendermos com essas pessoas!

Muito grosseiramente podemos dizer que Freud chamou este adiamento de princípio de realidade, muitas vezes regido por condições impostas pelo mundo exterior a nós. É como se, dada a realidade, procurássemos prazer diante das coisas que se apresentam para nós, e não o contrário. Esta é uma estratégia delicada, pois de um lado temos de fazer planos, querer mais, ter novos objetivos, procurar nos transformarmos, por outro precisamos "curtir" aquilo que temos, que conquistamos, e fundamentalmente, aquilo que somos! É a satisfação daquilo que é real.

Efetivamente transitamos pelos antagonismos da vida. Que bom, porque tão saudável quanto aproveitarmos os prazeres que surgem, por esforço ou surpresa, é lidarmos com os dissabores da vida.

Se me permite uma dica, procure ter prazer com as coisas simples da vida, mas sonhe com as grandiosas!

Se me permite outra dica, procure viver em equilíbrio; e de vez em quando, abandone completamente esta ideia!

Beijos
Andréa


Escrito para - e também disponível no - portal: Uma Mãe das Arábias