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Chega de Machismo!!
Um pouco de prosa na praia, um pouco de poesia na cidade, colar de conchas, contos, sabor de brigadeiro, café passado, aconchego. Conversa de varanda, bate papo de bar. Vem conversar!
quinta-feira, 18 de dezembro de 2014
domingo, 2 de novembro de 2014
Como permanecer..de algum modo?
Em seu livro "De frente para o Sol", Yalom nos desafia a ir ao encontro do que, tantas vezes, tememos; o título remete ao belo (e real) pensamento de Le Rochefoucauld, de que "nem para o sol, nem para a morte, nós conseguimos olhar fixamente". (ou pelo menos, não por muto tempo).
Contradizendo um pouco isto, a lucidez da minha mãe acho que lembra mais a poesia de Raulzito "O caminho do risco é o sucesso. O acaso é a sorte. O da dor é o amigo
O caminho da vida é a morte!"
Não ser egoísta, doar-se, ajudar, pensar no próximo...
Não lembro de ensinamentos vindos da minha mãe que não tenham como base, o fato de preocupar-se com o bem das pessoas.
Ela faz isso, sempre fez isso e pelo visto continuará fazendo...
Estou certa de que todos os seus seis filhos têm isso muito arraigado.
Caso contrário não teríamos compreendido perfeitamente sua decisão, e assinado, nós seis, o termo de declaração de vontade e testemunho de doação voluntária de corpo para estudo anatômico.
Doação de Órgãos (galera, bora doar! é importante deixar isso claro para a família) é quase óbvio para a gente... mas a minha mãe foi além, e declarou (registrado em cartório) a doação do corpo para o Departamento de Anatomia do Instituto de Ciências Biomédicas da USP.
A proposta é incrível e até minha mãe falar sobre o assunto, eu desconhecia.
Quem nunca pensou sobre isso, sobre a vida, o depois... por que não?
Ótima semana, ótima existência!!
Déia
Saiba mais clicando na imagem:
Dia 02/11
Eu odeio chorar, porque entope o meu nariz, mas se a gente não chora, fica tudo meio sufocado mesmo.
Hoje é feriado de "finados"...estranho...aquilo que não existe mais, que faleceu, aquilo que falta, que expira.
Apesar de ter 'caído' em um domingo, o feriado sempre tem um quê de celebração, talvez comemorar o dia de finados não seja bem o termo, muito embora existam belíssimos festejos, como o "Día de Los Muertos", no México, quando os mortos têm permissão de vir à terra visitar os entes queridos.
Apesar de ter 'caído' em um domingo, o feriado sempre tem um quê de celebração, talvez comemorar o dia de finados não seja bem o termo, muito embora existam belíssimos festejos, como o "Día de Los Muertos", no México, quando os mortos têm permissão de vir à terra visitar os entes queridos.
Quem dera...
Caramba, a saudade fica nos espiando o tempo todo, e as vezes dá o bote, como uma cobra paciente, que aguarda um passo inseguro no mato alto.
Caramba, a saudade fica nos espiando o tempo todo, e as vezes dá o bote, como uma cobra paciente, que aguarda um passo inseguro no mato alto.
Da psicanálise freudiana às mais novas descobertas da neurociência, do ceticismo secular às crenças ao sobrenatural, da elevação dos espíritos àqueles que acreditam ao nada depois daqui, certamente explicar-se-á, um dia, porque dói, no meio do peito, a falta de quem não volta mais.
A emoção não tem preconceito, ela não tá nem aí para o que você acredita, ou não acredita, ela te espreme tanto num abraço solitário, que salga o rosto, com a água dos olhos.
Ao meu pai.
Andréa Albuquerque.
quarta-feira, 15 de outubro de 2014
25/03 em 11/10
A 25....
Fui com o propósito de fazer uma única compra: a de uma armação de óculos...
Nossa, há tempos eu não visitava aquela dinâmica maluca no centro da cidade de São Paulo.
Parece que a economia foi significativa; mas na ponta do lápis, computando o pastel de palmito, o estacionamento, o damasco do mercadão, o vidro de pimenta biquinho, sabe-se lá se uma ótica no shopping Eldorado, com parcelamento amigável, não teria efeito maior....
Vinte e cinco de março é lugar de muitos idiomas, de paz entre tantas etnias, de guerra entre lojistas e camelôs. Lugar de cometer erro ao confundir, por ignorância, chineses e coreanos. Lugar de contrabando, de contramão, de verdade e de falsificações.
Próximo dali o Mercado Municipal com frutas coloridas, cheirosas, aroma confuso da mistura de bolinho de bacalhau, com temperos dos mais variados, cheiro de empório, cheiro de mortadela.
Tudo naquele entorno transpira a São Paulo popular, lugar que recebe as pessoas indiscriminadamente. E ironicamente, pois tem uma inospitalidade instaurada, pela falta de espaço, pelas calçadas incertas, trépidas, pelo mau cheiro que escoa rumo aos bueiros entupidos, nas ruas acinzentadas.
Li que o nome 25 de Março oriunda da data de juramento da primeira constituição do Brasil independente; no entanto, não é possível saber qual lei ali impera na atualidade, qual juramento prevalece.
Ladeira Porto Geral acima, no metro São Bento habitam por alguns instantes os rostos ora cansados, ora animados, missão cumprida, de tantos compradores, corpos suados, sacolas imensas sendo arrastadas, crianças também, por suas mães, que as reprimem por usarem os brinquedos que foram comprados uma hora antes, iniciando uma esquizofrenia exaustiva a todos, causada pelo desgaste da caminhada e pelo consumismo exacerbado.
Assustador também o número de pais que levavam bebes que aparentavam ter menos de 2 anos, parecem tão insalubres, o local e a atitude.
Mas ali está, e estará por muito tempo, a 25 de março é de todos nós, um espaço público curioso, paulistano, plural, de dores, de sonhos, de planos...
Queria muito saber a história de tantos que ali estão, como o do vendedor de baterias, que parecia gentil com todos, de rosto forte, mas amigável, com português sonoro no mais interessante sotaque árabe.
Tudo ali parecia confuso e em paz, na ambiguidade que só o centro torna capaz.
Finalizo esta reflexão nesta rima tola, com saudade deste passeio, que desperta a loucura de ter sentimentos opostos: a vontade de não querer voltar tão cedo, mas o desejo de estar ali, comendo pastel, esbarrando em tantas vidas...
Fui com o propósito de fazer uma única compra: a de uma armação de óculos...
Nossa, há tempos eu não visitava aquela dinâmica maluca no centro da cidade de São Paulo.
Parece que a economia foi significativa; mas na ponta do lápis, computando o pastel de palmito, o estacionamento, o damasco do mercadão, o vidro de pimenta biquinho, sabe-se lá se uma ótica no shopping Eldorado, com parcelamento amigável, não teria efeito maior....
Vinte e cinco de março é lugar de muitos idiomas, de paz entre tantas etnias, de guerra entre lojistas e camelôs. Lugar de cometer erro ao confundir, por ignorância, chineses e coreanos. Lugar de contrabando, de contramão, de verdade e de falsificações.
Próximo dali o Mercado Municipal com frutas coloridas, cheirosas, aroma confuso da mistura de bolinho de bacalhau, com temperos dos mais variados, cheiro de empório, cheiro de mortadela.
Tudo naquele entorno transpira a São Paulo popular, lugar que recebe as pessoas indiscriminadamente. E ironicamente, pois tem uma inospitalidade instaurada, pela falta de espaço, pelas calçadas incertas, trépidas, pelo mau cheiro que escoa rumo aos bueiros entupidos, nas ruas acinzentadas.
Li que o nome 25 de Março oriunda da data de juramento da primeira constituição do Brasil independente; no entanto, não é possível saber qual lei ali impera na atualidade, qual juramento prevalece.
Ladeira Porto Geral acima, no metro São Bento habitam por alguns instantes os rostos ora cansados, ora animados, missão cumprida, de tantos compradores, corpos suados, sacolas imensas sendo arrastadas, crianças também, por suas mães, que as reprimem por usarem os brinquedos que foram comprados uma hora antes, iniciando uma esquizofrenia exaustiva a todos, causada pelo desgaste da caminhada e pelo consumismo exacerbado.
Assustador também o número de pais que levavam bebes que aparentavam ter menos de 2 anos, parecem tão insalubres, o local e a atitude.
Mas ali está, e estará por muito tempo, a 25 de março é de todos nós, um espaço público curioso, paulistano, plural, de dores, de sonhos, de planos...
Queria muito saber a história de tantos que ali estão, como o do vendedor de baterias, que parecia gentil com todos, de rosto forte, mas amigável, com português sonoro no mais interessante sotaque árabe.
Tudo ali parecia confuso e em paz, na ambiguidade que só o centro torna capaz.
Finalizo esta reflexão nesta rima tola, com saudade deste passeio, que desperta a loucura de ter sentimentos opostos: a vontade de não querer voltar tão cedo, mas o desejo de estar ali, comendo pastel, esbarrando em tantas vidas...
terça-feira, 16 de setembro de 2014
Por favor não me ame agora...
Um amor declarado chega repleto de delegações, algo com o qual você tem de lidar. É seu agora. E o que você vai fazer com isso?
Quando alguém te ama, é bem Exuperiano: "tu te tornas eternamente responsável por aquilo que cativas"; desse modo você já é um devedor, a contrapartida é aquilo que completa o sentimento dito pelo outro, o débito é o seu amor de volta. Mas e se isso lhe falta?
E se a mão estendida não é alcançada porque você estagna?
Mas por quê? Por que você congela?
Sei lá se é importante descobrir a causalidade do seu recolhimento, afinal quando admiramos um siri, ele logo se esconde, um caracol se encaixa em sua concha, e nem sequer pedimos explicação.
O fato é que um amor declarado não é afirmação, é sempre um pergunta. Você me ama também?
Tô aqui neste Alaska curtindo as nuances de poucas cores.
Estou quase em branco.
Vale responder só isso? Que eu apenas me apeguei à minha paz.
segunda-feira, 15 de setembro de 2014
NÃO É CULPA DE DEUS!!
Um desabafo sobre os riscos à vida, pela hipocrisia atribuída ao sobrenatural.
Que assim (diferente) seja!
Existem muitas congruências entre a situação econômica deste país, o nosso 'emergir' em lado oposto, a corrupção escancarada e a permissiva popular de sua prática, o atraso da ciência em centenas de anos e mais uma morte por aborto clandestino ocorrida nos últimos dias.
Historicamente construídos e absolutamente entrelaçados, esses pontos que aqui descrevo têm, entre tantos outros novelos desmembrados, uma linha comum que costura essas infelicidades: as instituições religiosas, a igreja católica, e muitos dos templos de Salomão, que furtam tanto dinheiro quanto a capacidade das pessoas refletirem. Um atraso imensurável, um risco cujo preço muitas gerações continuarão pagando.
Há milhares de anos, e assustadoramente ainda com tanta força, existe esse manto sagrado, cujo tecido, intangível, de veludo pesado, vela, cega, impede a liberdade, a coragem e muito pior, extrai a RESPONSABILIDADE de cada cidadão tomar para si o caminho das próprias escolhas e principalmente as consequências destas.
A imposição religiosa, e sobretudo unilateral, cristã, em um estado Laico, não é apenas inconstitucional, é um atraso, uma vergonha, um crime. Uma profunda tristeza.
Eu não tenho dúvida que delegar a Deus todas as agruras da vida e bençãos é um caminho fácil.
Eu queria muito, muitas vezes, acreditar, não acredito, em Deus, nos céus, no inferno, em nada.
Sim, isso dificulta muito as coisas por aqui, mas eu não estou discutindo a existência de Deus, mas o oportunismo dos homens em nome Dele.
E tanto pior, das consequências causadas pela atribuição divina aos mais perniciosos seres HUMANOS, resultando em maldade, mortes e inação.
Uma jovem está desaparecida porque foi fazer um aborto clandestino, porque é proibido, porque a igreja condena e o congresso diz amém.
Ela fez fez aborto porque engravidou, engravidou porque não usou métodos anticoncepcionais, os quais a igreja condena e o congresso diz amém.
Temente? Eu temo por essa moça, pela sua família, pela mãe dela que a perdeu.
Temo por todas as mulheres que por uma burrada, por medo, por vergonha, por força da lei (absurda) morreram...
E lá segue o povo fazendo mais filhos, porque Deus manda, porque o machismo coloca o pau sem perguntar nada, porque onde come um comem 10, ou ninguém come nada, o ouro do Vaticano não banha o garimpo do Pará, não brilha no Norte, no Nordeste, nos sertões deste Brasil. O ouro do Vaticano não veste Serra Pelada, nem a menina descalça, nem mata os vermes das regiões órfãs de cuidados, de saneamento, de gritos por mudança, nem luta porque a igreja disse que esse é o destino.
Será que o meu coração não tem espaço para Deus por tamanha indignação diante da perversidade mundana?
Eu ORO por uma iluminação às mentes adormecidas pelas vozes baixas e uníssonas e gritantes de padres e pastores, que eles se emudeçam um dia, que por força maior, as pessoas compreendam que podem ter saúde, escolas, comida, amor, sem ter medo. Tudo aqui. Que lutem por isso com a pouca força que têm, porque delas se tirou muito.
Que as pessoas possam votar melhor, amar os filhos, escolher tê-los ou não tê-los, fazer o bem não porque alguém mandou, mas porque é a coletividade que nos faz cidadãos.
Eu ORO, através deste texto, por menos discriminação, pela descriminalização do aborto, pela liberdade de escolha religiosa, sexual, e por um sertão mais irrigado, de ciência, saúde, e liberdade de pensamento.
Me permito ser generalista, até porque não teria como eu fazer um estudo profundo dos malefícios da herança do obscurantismo religioso que está absolutamente presente em nosso país.
Termino aqui com minha sincera indignação a essas candidaturas ligadas à religião, assim como a invasão das rádios, assim como políticos naquelas cafonices nojentas e corruptas que são as casas e templos espalhados por aí...
Todo meu respeito ao corajoso e arrojado papado de Francisco, um homem que me inspira, e me dá esperança por um Vaticano melhor, mais justo.
Outro Francisco que me inspira sempre: meu pai; que me mostrou o melhor caminho, do qual as vezes eu desvirtuo, mas eu mesmo assumo as consequências, porque não espero nem o céu, nem o inferno, espero crianças na escola, idosos respeitados e vivendo dignamente, adultos trabalhando, lendo e se alimentando.
Amém!
Andréa Albuquerque
sábado, 13 de setembro de 2014
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