quinta-feira, 12 de junho de 2014

Dinheiro de Jogo - só um pedaço da Copa

Enquanto isso um prêmio de R$ 1,1 milhão para cada atleta em caso de título...
Um pouco confuso para mim as prioridades estabelecidas...
Não interessa, neste momento, a origem do montante, a origem é nossa. Nós pagamos! Mas eu não quero pagar!!!
Também não tô aqui para fazer discursinho de não investir em esporte, tanto o contrário, a questão é o que é prioridade, o que é marketing e o que é a vontade de livrar este país do mal do imediatismo.
Temos, por exemplo, centenas de atletas sem apoio, os "não-futebolistas", com potencial para 2016, para 2020, ou apenas para terem acesso ao lazer, à educação e à cidadania através do esporte...
Teríamos a possibilidade de, com este dinheiro, pulverizar muitas cidades com pequenas oficinas com atividades esportivas... mas não...não...não.
US$ 500 mil para cada membro da equipe é dinheiro demais, dá uma agonia, é um desperdício, um mal investimento, uma despreocupação social, dá um nó na garganta.....

segunda-feira, 19 de maio de 2014

Tem fragrância aqui? Respire fundo e leia.


O cheiro contradiz o princípio da volatilidade, pois ele permanece ao evaporar, transpassa o olfato, pede algo mais tátil. Ele não se contenta, não se limita, é livre e nos faz obedientes à sua vontade.

Cheiro é como paixão aristotélica, aquela à qual ficamos submetidos, aquém do potencial de mudança. Paixão da submissão, e não da ação. E cabe a nós adentramos verdadeiramente neste universo quase muscular, no qual o cheiro nos faz morar, da força do diafragma às sombras de nossas narinas, do movimento pulmonar às sinapses, o cheiro se apodera de tudo, de todos os sentidos, em todos os sentidos.

Incrível como a intangibilidade do cheiro pode deixar impressões tão vívidas em nós, tão fáceis de tocar. Palpáveis sim, mas palatáveis? Quem dera o fossem sempre. Mas é assim que ele se impõe, porque nem sempre o que exala é bom, pode ter algo de horror impregnado.

Mas falemos sobre o melhor dos aromas, o qual, em algum momento, nos afeta completamente, aquele que é único em sua mistura, que nos acalma, nos convida à serenidade, ou que nos saúde com a saudade.

Falemos sobre o cheiro  que nos desestabiliza absolutamente, nos excita, nos lança por caminhos misteriosos, por becos úmidos e autenticamente perfumados, por beiradas arriscadas, por espaços aromáticos onde há prazer para o mais exigente dos hedonistas.




Se o cheiro é empírico, existe um odor por vir? Um cheiro ainda não percebido? Talvez, e passa a ser então uma inferência calcada na retomada de nossas histórias, no resgate memorável do que vivemos.
Um odor não sentido - um perfume desejado - está à frente e também no passado, ele vive em nossos processos mentais. Afinal o que é o futuro se não parte de nossas memórias?

São tantos os cheiros e aromas que orbitam em nós com vigor, nas lembranças da infância, de caju e pitanga, no futuro temerário, nos livros, no riso, no choro, na saudade e no sonho, no café, na fogueira, na comida, no banho da ducha, no mergulho no mar, na vida, no respirar.

Muitos aromas fascinam você?




Andréa Albuquerque, maio 2014

sábado, 3 de maio de 2014

DEIXEM AS ARMAS. TRAGAM O CHÁ, O CAFÉ, AS BANANAS. VAMOS CONVERSAR...

Porque racismo nem sempre é transmitido em HD...

Agora tem a campanha em favor do David, o torcedor que jogou a banana no gramado.
Vimos na última semana a campanha em favor de Daniel Alves, jogador que comeu a banana. Aliás, incrível a atitude!
Esta polêmica já foi longe demais? Não, não foi.
Já falei disso outras vezes, o debate extenua, mas o cansaço não pode nos eximir da discussão.
A agência de publicidade que lançou a campanha "Somos Todos Macacos" acabou por se defender, porque foi gerada uma outra questão, o valor da causa versus o da publicidade.
Dane-se - neste momento - , se alguém está lucrando com isso.
A propósito, eu detesto futebol, acho ofensivo os contratos bilionários, mas se foi neste neste campo que quicou este bola, vamos prorrogar o encerramento da polêmica.
Porque racismo nem sempre é transmitido em HD, é distorcido, velado, ruidoso, aparece num atravessar de rua, na passagem não dada, no fechar das janelas, no sorriso negado, no negro adjetivado, no salário menor em um mesmo cargo, no encargo da cor, no ônus histórico, o qual cabe sim, a todos nós, todos os dias, lutarmos pela sua dissolução.
Lutarmos em cada atitude nossa pela equidade humana, pelo enaltecer das diferenças; sim, diferenças!
Como pode alguém não acolher a diversidade?
Curioso.... a indignação também pode ser preconceituosa, (mas estou sempre indignada!); afinal, cada pessoa tem uma história, uma construção de crenças, uma educação. Cada um habita um mundo, e se esse mundo é estreito, há pouco espaço para o outro, para o que é distinto.
Dois pés na porta certamente abrirão a casa fechada, e já fiz muito isso, acredite. Mas aí mais fechaduras são construídas. Então como tornar mais elástico o mundo de quem destitui de valor a alteridade?
Não parece injusto nós termos de compreender o racista? Sim, parece mesmo. E talvez o seja.
Mas o que emerge ao vermos uma atitude tão cruel, um xingamento, uma agressão, um mundo onde o nivelamento é pelo horror, é uma questão tão difícil, tão desgastada, que é a prática da tolerância. 


Tolerar é coexistir, é estar livre. É respeitar a si e aos outros, é lançar mão da flexibilidade, e num grau muito elevado, é perdoar. Não posso tratar deste tema agora, do perdão, eu não consigo ainda, confesso, uma pena.

Mas certamente o exercício da tolerância a maturidade vivida ajuda bastante. 
É muito fácil para mim, com a educação que eu tive, não ser racista, o grande desafio é compreender pessoas como David, quando a vontade é de bani-lo mesmo para sempre.
Será que o caminho para um mundo mais amplo, de David, de Daniel, seu e meu, não é prática da tolerância em todos os níveis? 

Haja dedicação para tanto, não é mesmo? Até frieza, ou muito calor, muito amor.
Será que, de novo, a minoria terá de ser mais resiliente? Talvez!
Não sei, nem sei se eu conseguiria tamanha tolerância, é um desejo que tenho por um mundo melhor, não pretendo aqui deixar tudo preto no branco, estou tentando criar sombras com algumas luzes, caminhos e nuances, estou só passando a bola....
A discussão não pode parar.


Andréa Albuquerque, maio 2014

quarta-feira, 30 de abril de 2014

Dê o nome que quiser...mas sinta..!! Enlouqueça, por amor ou paixão, por um instante que seja.


A gente sai por aí, esbravejando declarações, ou as guarda com um aperto no peito, o que, aliás eu nunca entendi, nunca entendi o porquê de esconder o amor. E nunca o fiz. Ele sempre esteve ali, espalhado, bagunçado, confuso, calmo, mas absolutamente dito, de algum modo, sutil ou nem tanto.
Sempre me incomodou a palavra Amor. O que é? O Houaiss define? Ou o Amor é uma espécie de dor dento da gente?
Um medo.
Aí sim...meu Deus, como a gente tem medo de amar, não é?
Porque é difícil mesmo, porque somos egoístas e queremos tuuuudo de volta. Todo o desejo, o carinho, as expectativas atendidas e despertadas...


Nem sei se existe.
Sei o que eu sinto. Não nomeio na maioria das vezes.
Não curto muito esta separação, quase cartesiana, entre paixão e amor.
A impressão que dá que é a partir de algumas semanas, meses, pode ser amor, parece que não pode existir amor de um dia, isso é paixão.
Então deixe-me entender, posso amar meus pais, irmãos, amigos, mas amar um homem, só depois de algumas etapas? Antes disso é paixão?
Caramba, que complicado, parece fase, um jogo, parece que ganho vidas, ganho brigadeiros de Candy Crush quando a paixão vira amor.
B
obagem, dê o nome que quiser, o que sentimos, o que nos enriquece, nos ruboriza, dê o nome que quiser, viva-o, não esconda, ao menos para si.

Aceite o incidente.
Enlouqueça, por amor ou paixão, por um instante que seja.



Andréa Albuquerque, abril 2014

sábado, 19 de abril de 2014

Não, a vida não começa aos 40!


É o tempo de cada um que impera, é o tempo vivido (não o cronológico). É o 'momento oportuno', é kairós.

Não, a vida não começa aos 40! Começa quando a gente nasce mesmo. Desculpe frustrar quem tem essa ideia; a qual é, indubitavelmente confortável àqueles que, assim como eu, chegaram aos 40 recentemente, ou estão em via de.
O que pode acontecer é um novo fôlego, uma retomada de valores, de sonhos, de planos. Mas que não está atrelado necessariamente às quatro décadas, mas ao momento em que se atravessa. Assim sendo, isso pode ocorrer aos 5, aos 14, aos 25, aos 80.
O sentido da vida e os projetos podem - ainda bem - serem ressignificados e retomados a qualquer tempo.

Tem algo mais que a gente (talvez supostamente) conheça e possa atribuir às mudanças da vida? A liberdade. De pensamento, talvez não física ou de atitude, mas a liberdade de se apropriar daquilo que se sente.




A gente busca na vida adulta, a liberdade que uma criança sente. Mesmo que a vida comece bem antes dos 40, dos 60, dos 90. É sempre um recomeço, uma escolha, um aprendizado.


Andréa Albuquerque, abril 2014

Quando a gente diz “PÁRA!”



Estupro não vem por meritocracia.


A impressão que se tem é que assuntos que demandam muito de nós, se esvaem na mesma proporção da intensidade do calor que gera.

Afinal, não suportamos ficar perto do fogo muito tempo, não é?
Que venha o sereno então, que venha a serenidade então.
Mas jamais o esquecimento!

Sabe quando, de brincadeira, alguém segura o nosso braço e perdemos a força?
Dá aflição, né? E isso é momentâneo, e é voluntário.
Ser imobilizado é como receber cócegas, pode ir da brincadeira à tortura.

Ser forçada(o) a algo, é disso que estamos falando. Não sobre o modo se vestir, sobre o modo de agir; mas sobre escolher PARAR. É sobre ter domínio e vontade. 
É sobre sentir-se segura, estabelecer limites, é estar livre de semânticas.
"Não" é NÃO!


527 mil pessoas são estupradas por ano no Brasil (dados Ipea), se fossem 27 mil, 7 mil, 7, ou 1 pessoa, teríamos igualmente de tratar disso.


A pesquisa do Ipea trouxe números exorbitantes e amostragem de compreensão sobre “gostar de apanhar” , de “merecer ser estuprada”.

A mulher, a criança, o homem, é sobre violência que temos de tratar aqui. Sobre a força bruta, machista.

Foram gerações até o voto feminino. Será que serão necessárias gerações para, culturalmente compreendermos o veto ao sexo forçado?

Espero que não! NÃO!
Ninguém merece ser estuprado!


Andréa Albuquerque, abril 2014

quinta-feira, 10 de abril de 2014

A solidão nos mantêm humildes


Nascemos sozinhos e assim morreremos, isso não é segredo, mas muitas vezes, essa verdade ontológica permanece inconfessa.
Estamos sempre entre as pessoas, e assim vivemos, com um tiquinho de ilusão e uma pitada de prepotência.
A tecnologia ajuda prá caramba a ofuscar a realidade do abandono, as redes sociais - e eu gosto delas, é apenas uma crítica - escondem escancaradamente a dor da solitude indesejada.

Recentemente, uma delícia, tirei férias, viajei sozinha, e ali estava eu, comigo, completa, preenchida de lugares e pessoas ao redor, poderia não ter ninguém - e muitos dos lugares eram deserto mesmo - mas eu tinha a mim, e bastava.
Ocorre que essa plenitude é transitória e é importante lembrarmos disso, para aproveitá-la completamente, curtir totalmente, e abandoná-la quando ela precisar ir.




Acho que essa felicidade particular, individual, o que chamo aqui de "completude de um", vem mesmo quando nos desapegamos. Ou não, talvez uma coisa leve à outra.

Outro dia eu estava assim, muito diferente da completude de um, eu estava inteira como um deserto no maior dos congestionamentos, sozinha, e eu tinha (só) a mim, e isso - desta vez, não bastou de jeito nenhum.

A alegria incrivelmente subjetiva vem (e vai) sem aviso; porque tantas outras vezes, quando você deseja profundamente "estar com", - e NÃO está -, a solidão te arranca do conforto, te sacode, e nem sequer te abraça depois, te deixa ali, sozinha na multidão.


Andréa Albuquerque, abril 2014.