sábado, 19 de abril de 2014

Quando a gente diz “PÁRA!”



Estupro não vem por meritocracia.


A impressão que se tem é que assuntos que demandam muito de nós, se esvaem na mesma proporção da intensidade do calor que gera.

Afinal, não suportamos ficar perto do fogo muito tempo, não é?
Que venha o sereno então, que venha a serenidade então.
Mas jamais o esquecimento!

Sabe quando, de brincadeira, alguém segura o nosso braço e perdemos a força?
Dá aflição, né? E isso é momentâneo, e é voluntário.
Ser imobilizado é como receber cócegas, pode ir da brincadeira à tortura.

Ser forçada(o) a algo, é disso que estamos falando. Não sobre o modo se vestir, sobre o modo de agir; mas sobre escolher PARAR. É sobre ter domínio e vontade. 
É sobre sentir-se segura, estabelecer limites, é estar livre de semânticas.
"Não" é NÃO!


527 mil pessoas são estupradas por ano no Brasil (dados Ipea), se fossem 27 mil, 7 mil, 7, ou 1 pessoa, teríamos igualmente de tratar disso.


A pesquisa do Ipea trouxe números exorbitantes e amostragem de compreensão sobre “gostar de apanhar” , de “merecer ser estuprada”.

A mulher, a criança, o homem, é sobre violência que temos de tratar aqui. Sobre a força bruta, machista.

Foram gerações até o voto feminino. Será que serão necessárias gerações para, culturalmente compreendermos o veto ao sexo forçado?

Espero que não! NÃO!
Ninguém merece ser estuprado!


Andréa Albuquerque, abril 2014

quinta-feira, 10 de abril de 2014

A solidão nos mantêm humildes


Nascemos sozinhos e assim morreremos, isso não é segredo, mas muitas vezes, essa verdade ontológica permanece inconfessa.
Estamos sempre entre as pessoas, e assim vivemos, com um tiquinho de ilusão e uma pitada de prepotência.
A tecnologia ajuda prá caramba a ofuscar a realidade do abandono, as redes sociais - e eu gosto delas, é apenas uma crítica - escondem escancaradamente a dor da solitude indesejada.

Recentemente, uma delícia, tirei férias, viajei sozinha, e ali estava eu, comigo, completa, preenchida de lugares e pessoas ao redor, poderia não ter ninguém - e muitos dos lugares eram deserto mesmo - mas eu tinha a mim, e bastava.
Ocorre que essa plenitude é transitória e é importante lembrarmos disso, para aproveitá-la completamente, curtir totalmente, e abandoná-la quando ela precisar ir.




Acho que essa felicidade particular, individual, o que chamo aqui de "completude de um", vem mesmo quando nos desapegamos. Ou não, talvez uma coisa leve à outra.

Outro dia eu estava assim, muito diferente da completude de um, eu estava inteira como um deserto no maior dos congestionamentos, sozinha, e eu tinha (só) a mim, e isso - desta vez, não bastou de jeito nenhum.

A alegria incrivelmente subjetiva vem (e vai) sem aviso; porque tantas outras vezes, quando você deseja profundamente "estar com", - e NÃO está -, a solidão te arranca do conforto, te sacode, e nem sequer te abraça depois, te deixa ali, sozinha na multidão.


Andréa Albuquerque, abril 2014.

COMBATE À HOMOFOBIA - FORÇA PARA A CONSTRUÇÃO DE UMA HISTÓRIA PLURAL

"Não é uma questão de preconceito, mas você sai para jantar com a sua família e vê dois homens juntos...." 
Acho que nem preciso continuar a frase, um bolo se formou no meu estômago qdo eu ouvi isso, eu estava em um jantar, acho que eu estava cansada demais para discutir, simplesmente levantei e saí. Fui fraca.

Há alguns dias, a Comissão Nacional da Verdade (CNV) tratou do assunto homofobia, e fez uma conexão desta como uma herança da ditadura militar.

A História no (do) Brasil (se contarmos a partir do ano 1500) é recente, de luta e dor, mas parece que a depositamos em um passado inacessível. 
A História é o que vivemos. O que vivemos não surge 'do nada'; engraçado dizer isso, mas tenho a impressão de que a concepção de que somos historicamente construídos, (SOMOS, e NÃO 'FOMOS') é incompreensível. 
A homofobia não surgiu hoje, não é recente; tratar do tema, estimular discussões acerca do preconceito, da criminalização (PLC122/2006) não é moda, ou não deveria ser. Não pode esgotar-se, ou limitar-se a um núcleo polarizado; o contrário, é a pluralização que deve emergir, e ficar, permanecer em ebulição, porque a fervura é antônimo da indiferença.

O debate é comumente extenuante, mas o cansaço (como o que eu senti) não pode justificar a fuga a ele. Espero não fazer mais isso, e que ninguém o faça.
Falemos!

Andréa Albuquerque, abril 2014.

sábado, 5 de abril de 2014

Paixão

A paixão tem intensidade tamanha que limita o tempo de sua existência.
Como se o fim do instante fosse o preço a ser pago pela sua grandeza.
Mas tempo é subjetivo. E não me parece nada justo ser célere para um, se paixão são dois.







Andréa Albuquerque, abril 2014.

segunda-feira, 16 de setembro de 2013

Além da força

Por que cansa?
Por que manca?
Por que cai?
Caiu como?
Dói?
Dá a mão para eu te ajudar!
Pega?
Seu filho tem problema?
Sua filha é inteligente?
Ele vai comer o quê?

Você sempre foi assim?
Piorou?
Melhorou?
Sara?
Tem cura?
Pega?
É genético?
Você pode beber?
Pode transar?
Você sente as pernas?
Vai prá escola? Assim?
Vai prá faculdade?
Mestrado?
Pode trabalhar?
E se ficar apaixonado?
Faz fisio?
Este aparelho é oxigênio?
Como você pegou isso?
Como começou?
Antes você andava?
Pode ter filhos?
As notas sao boas?
Qual proteína?
Tem certeza que não é manha?
Tem certeza do amanhã?

17 de SETEMBRO
Dia Nacional da Conscientização sobre as Distrofias Musculares



quarta-feira, 13 de fevereiro de 2013

Acredita?

Caramba... essa renúncia do Papa deu origem a um horário eleitoral inesperado.
Já tem aposta, preparação de contagem de votos, um puta tempo desse assunto na imprensa, que engrena a notícia do Vaticano voltar a aceitar cartões de crédito. 


Meus deus!


Isso tudo me lembra a música do Gil:
 "Ele diz que faz, que faz tudo isso em nome de Deus
como um Papa na inquisição
nem se lembra do horror da noite de São Bartolomeu
não, não lembra de nada não

Não lembra de nada, é louco
mas não rasga dinheiro
promete a mansão no paraíso
contanto, que você pague primeiro
que você primeiro pague o dinheiro"