sábado, 5 de abril de 2014

Paixão

A paixão tem intensidade tamanha que limita o tempo de sua existência.
Como se o fim do instante fosse o preço a ser pago pela sua grandeza.
Mas tempo é subjetivo. E não me parece nada justo ser célere para um, se paixão são dois.







Andréa Albuquerque, abril 2014.

segunda-feira, 16 de setembro de 2013

Além da força

Por que cansa?
Por que manca?
Por que cai?
Caiu como?
Dói?
Dá a mão para eu te ajudar!
Pega?
Seu filho tem problema?
Sua filha é inteligente?
Ele vai comer o quê?

Você sempre foi assim?
Piorou?
Melhorou?
Sara?
Tem cura?
Pega?
É genético?
Você pode beber?
Pode transar?
Você sente as pernas?
Vai prá escola? Assim?
Vai prá faculdade?
Mestrado?
Pode trabalhar?
E se ficar apaixonado?
Faz fisio?
Este aparelho é oxigênio?
Como você pegou isso?
Como começou?
Antes você andava?
Pode ter filhos?
As notas sao boas?
Qual proteína?
Tem certeza que não é manha?
Tem certeza do amanhã?

17 de SETEMBRO
Dia Nacional da Conscientização sobre as Distrofias Musculares



quarta-feira, 13 de fevereiro de 2013

Acredita?

Caramba... essa renúncia do Papa deu origem a um horário eleitoral inesperado.
Já tem aposta, preparação de contagem de votos, um puta tempo desse assunto na imprensa, que engrena a notícia do Vaticano voltar a aceitar cartões de crédito. 


Meus deus!


Isso tudo me lembra a música do Gil:
 "Ele diz que faz, que faz tudo isso em nome de Deus
como um Papa na inquisição
nem se lembra do horror da noite de São Bartolomeu
não, não lembra de nada não

Não lembra de nada, é louco
mas não rasga dinheiro
promete a mansão no paraíso
contanto, que você pague primeiro
que você primeiro pague o dinheiro"
 

sábado, 8 de setembro de 2012

Fundamentos


Pode a maleabilidade dos limites se apresentar ao longo da vida?
Quão flexível será o material que estrutura primariamente o ser?
Ambivalência originária temos nós: a fragilidade egóica é proporcionalmente presente à dureza de nossos muros. Sejam esses barreiras institucionais, sejam aprisionamentos existenciais. 

sexta-feira, 7 de setembro de 2012

A soma da subtração

O suprimido é isto, se historifica, é fotografia de ontem, é ausência na imagem de hoje e sempre uma possibilidade.

terça-feira, 7 de agosto de 2012

São (mas nem tanto) Sebastião




De poucas lembranças da infância meu hoje é contemplado. O meu hoje é contemplado. O passado se anovela entre não saberes, entre incertezas se o que me vêm à mente foi vivido ou inventado.

Conservada em algum lugar e trazida à consciência, tomo a imagem da areia de cor bege, em um tom que acalma, eu poderia até mesmo apontar esse bege em uma escala Pantone. 

Posso sentir a umidade da areia e a maresia, o barulho que o mar faz, não somente no quebrar das ondas, mas desde quando se prepara para formá-las. 
O mar rouba a água que emprestou há pouco àquela faixa de areia, esse arrependimento tem um som, pronunciado quando arrasta o líquido com autoridade, mal conseguimos nos despedir da sensação gelada, ficam somente os pés afundados e o olhar para o mar pedindo mais, mais água, mais espuma, mais furinhos na areia, agora mais escura.

Posso sentir o medo de receber do mar algum bicho, escondido, rejeitado. Lembro-me da risada quando os siris apareciam. Adorava o esconde esconde nas tocas camufladas. A surpresa vinda do solo, a sensação de que as pessoas ocupavam um espaço que não era do homem, era do mar e daqueles siris. 

É pueril o fascínio por tudo isso, meu encanto por praia é uma memória deliciosa da minha vida, muito embora eu tenha minhas dúvidas se é memória ou invenção, uma viagem inventada ao passado. Uma viagem litorânea, ilhada, descolada da gente, do continente. 

Preciso tanto do real que desconfio dessas lembranças, mas são tão vívidas que podem passar sim por este crivo tão crítico que me acompanha. Afinal este amar o mar não é fanático, é neurótico. 
E os siris estavam lá.