quinta-feira, 5 de abril de 2012

Ele, o esporte!


A gente fala tanto que as crianças têm de fazer várias atividades, mas outras vezes nos pegamos sufocando os pequenos; é natação, judô, inglês, reforço escolar, teatro, sei lá mais o quê, aliás, nem sei o que está em voga, como não tenho filhos faço uma referência ao que era moda na minha época.

Se por um lado o excesso de informações e atividades tira qualquer um do prumo, imagine o tanto de coisas que as crianças devem se preocupar por estarem sempre ocupadas. Lembremos da importância do brincar para a criança, é na brincadeira onde crescemos; mais adequadamente podemos dizer, pela brincadeira nos desenvolvemos!

De todo modo meu voto vai também – e principalmente - para o esporte.

Outro dia tive um aniversário de um amigo que conheci quando era criança, através do esporte, foi tão bacana porque várias pessoas que estavam ali eram amigos por causa do esporte, e muitos deles permaneceream neste ambiente, formaram-se em educação física e trabalham com isso.

Deve fazer mais ou menos uns 20 anos eu não estou neste meio, ou seja, que eu não faço esporte. Pronto, falei! Ai, é horrível dizer isso!

Bom, mas o fato é que percebi como aquele grupo se mantinha próximo, tivemos um passado juntos e aquilo fora suficiente para horas de conversas, falamos sobre nossas viagens juntos, aventuras, sobre a "nossa turma do esporte", muito bom!

Esporte tem grupo (mesmo os esportes individuais!), tem energia, disciplina, tem brincadeira, contato com a natureza, com o corpo, tem também o contato com as possibilidades, e também com os limites.

Falar sobre os benefícios da prática esportiva parece “chover no molhado”, mas vale a pena listarmos o quão bacana é  tudo isso é, foi assim para mim.

Eu gostava tanto que fiz um poema há.... credo! ...19 anos!!

Relendo o poema, notei que é uma das poucas escritas no passado...digamos, há mais de quatro anos, que eu não mudaria nada.

Uma vez o Edu, meu marido, me deu de presente um porta-joias pintado por ele, e o que ele desenhou e pintou, foi feito por causa deste poema!!

Se este texto fosse uma fábula, o preceito moral seria: apresente o esporte ao seu filho; dentro das possibilidades, incentive sempre sua prática!

 E como não poderia deixar de ser, o poema:

O mundo seria mais tranquilo se todas as

pessoas tivessem remado ao menos uma vez.

E durante esse ato quase previsível, inerte,

instintivo, sentissem o vento, ou o sol,

ou a chuva ou os três, mostrando sua cara na cara

de quem sente cada fibra do corpo sorrindo

bem perto da água, tranquila ou não.

E em quem percebe o caminho que os músculos seguem,

às vezes sem sintonia, quase errado,

às vezes cem sintonias, perfeito.

Não dá pra fingir quando se rema,

até dá, mas a mentira perde, perde feio,

e aí se perde muito e fica feio.

O mundo seria mais tranquilo se todas as

pessoas tivessem remado ao menos uma vez...

Os esquimós foram grandiosos

na construção de casas que os abrigavam do frio;

e elas eram de gelo.

Os esquimós... remam.


Beijos
Andréa

quinta-feira, 22 de março de 2012

O que representou, para mim, o professor Júlio César Voltarelli


Sempre que me refiro a algo sobre o trabalho que exerci na ONG Movitae (de incentivo às pesquisas com células-tronco) o faço na terceira pessoa do plural, e não poderia ser diferente, o projeto representava pacientes e seus familiares, e boa parte da comunidade científica.
Hoje não vou me furtar de explicitar o sentido que tem, para mim, esta perda.


O professor Julio Voltarelli foi o primeiro cientista, que não acompanhou diretamente a fundação da ONG e que acreditou no trabalho. Eu lembro quando ele comprou a primeira camiseta, simbolizando sua adesão, sua escolha em participar de tudo isso.

Lembro que era "fácil" ligar para ele, escrever, não tinha arrogância, tinha vontade. Era prazeroso ouvi-lo, ele falava sobre sua vida, não só sobre medicina, falava igual "a gente", tinha história, e a dividia.
O Professor teve inúmeros cargos de elevada representação acadêmica; para mim era o Julio, conselheiro da Movitae, cujo respeito e imensa admiração iam além da sua titulação.

A possibilidade de acesso a ele, a aproximação permitida, incentivada, foi fundamental para o bom resultado do trabalho da Movitae.

Eu sabia que ele era bom, bom na profissão que escolheu, que curou, que dava vontade de ficar conversando, que mostrou a diversos lugares do mundo - assim como muitos pesquisadores - que temos (agora sim falo em nome de todos!) privilegiado capital humano na ciência brasileira.

Eu sabia que ele era assim, humano, humanista ouso dizer, eu só não sabia que ele morreria algum dia.

Obrigada, professor e meu imenso carinho à sua família.

Andréa Albuquerque







domingo, 18 de março de 2012

Mundo virtual: faniquito!



Recebi um email da Barbara Saleh, querida editora do portal, lembrando-me que era dia de entrega de texto. 

Eu queria muito escrever sobre a importância do contato humano, mas não consigo fazê-lo da forma como eu gostaria: poeticamente; porque sempre que me refiro a este assunto, o faço em contraponto aos relacionamentos virtuais e aos relacionamentos das pessoas com a tecnologia, e não consegui ainda, versar sobre o tema.

Eu já comentei algumas vezes sobre o meu "problema" com a tecnologia, de tempos em tempos tenho algumas crises, que geram uma vontade imensa de apagar todos meus emails, sair do twitter, facebook, essas coisas. Certamente muito de vocês também têm essas crises. Me digam!

Três amigos queridos (reais e virtuais) - e que não se conhecem - informaram em seus perfis que deixariam as redes sociais. A ação não durou uma semana. Foram meus heróis durante sete dias!

Admiro também aqueles que nunca deram a primeira postada!

Sim, eu sei que o equilíbrio é tudo, que podemos tirar o melhor dos dois mundos, tal, tal, tal, é do que tentam me convencer quando tenho esses chiliques; mas chilique é chilique, é para ser radical mesmo.

Certa vez uma chefe falou que se ganhasse na mega sena, atiraria o computador do décimo primeiro andar, possivelmente eu abriria a janela para ajudá-la.

E assim se dá a relação de amor e ódio com a tecnologia, afinal têm coisas bacanas por aí, na rede, nos aparelhos modernos, mas hoje não é dia de defendê-los!

Ano passado me chamou muito a atenção uma matéria que dizia que para manter a concentração no nível máximo nos treinos, Cesar Cielo evitará a internet até o fim das olimpíadas de Londres.
Bastante relevante se pensarmos o que acarreta esse apego à tecnologia, não é mesmo?

Enfim, muito se tem falado sobre o excesso de informação que recebemos, de como isso é, com o perdão da redundância, excessivo, desgastante.

O chilique é, possivelmente, decorrente deste excesso, desta necessidade de estar ligada, não sei dizer, um pouco de culpa até, e olha que faço uso dessas redes com muita parcimônia.

Esta semana iniciei um curso, talvez eu escreva um dia sobre isso, hoje ainda quero absorver um pouco mais, mas devo adiantar que realmente nada substitui o contato humano.
Nada substitui o contato humano? Óbvio! Isso parece lugar comum, frase feita, mas a gente entra nesse ciclo tecnológico e frequentemente não se dá conta do quão vital é o contato real.

E com a ironia que a tecnologia e vida nos apresentam, aqui estou eu, falando com vocês, pelo computador, - e nem em tempo real é!

Mas tudo bem, a gente se vê, preferencialmente, pessoalmente!!

Beijos clicados e abraço apertado!
Andréa


18/03/2012
Escrito para - e também disponível no - portal: Uma Mãe das Arábias

domingo, 4 de março de 2012

Sombras sobre a infância


Li um texto belo e triste, mas como tudo o que nos coloca mais próximo à realidade, muito verdadeiro. Falava sobre o mito da infância feliz, não sei se antes disso eu havia parado, alguma vez, para pensar sobre o assunto, acho que muitas vezes nós todos pensamos em como é triste uma criança que não vai à escola, ou mesmo uma que vai à escola e sofre, que trabalha, que passa fome; mas quando pensamos assim imediatamente a deslocamos do mundo infantil para o mundo adulto, quando o correto é a deixarmos ali na infância, e ali ajudarmos.

Parece que nossa responsabilidade termina quando a transportamos para o mundo adulto, como se ela tivesse autonomia e força para fazer tudo sozinha, para mudar a própria realidade.
Como se ela não tivesse sido lançada ali, ou pior, como se o destino estivesse cumprindo seu papel e nós o nosso, observando; nosso destino de observadores, como se fosse um filme, e ao nos sentirmos incomodados, mudamos de canal, fechamos a janela, olhamos para baixo, para nada.

Em alguma medida somos absolutamente responsáveis, pelas ações e mais ainda pelas omissões, por responsabilizar o Estado e por ficarmos estáticos, imóveis.

É nossa responsabilidade sair deste estado parado para procurarmos compreender que existe sofrimento em todas as etapas da vida, e que nem sempre é uma escolha.
Somos nós os adultos, nós temos de chegar ao mundo da criança, da criança que não é feliz, ou ela nunca terá chance de chegar até o nosso mundo, adulto. De construir o seu mundo.

Falo deste modo, 'seu', 'meu', 'nosso', e temo parecer que tudo pode ser fragmentado, mas a idéia é mostrar, talvez de forma muito atrapalhada, que esses mundos coexistem, e são nessas interseções o espaço para nossas ações.
Quisera eu saber exatamente como mudar isso, como assistir sem desligar, sem se desligar, assistir no sentido de estar presente, como diz no dicionário, de acompanhar (prestar-lhe socorro).
Estou lançando, portanto, meu completo não saber acerca deste tema, estou compartilhando meu desconforto por ter pensado sempre no direito à felicidade da criança sem perceber que não basta pensar, que pensamento algum, sem movimento, a levará para um mundo onde haverá outras possibilidades, sonhos e novas realidades. 

04/03/2012
Escrito para - e também disponível no - portal: Uma Mãe das Arábias


domingo, 19 de fevereiro de 2012

A garantia do acesso à informação


            Os benefícios resultantes de qualquer pesquisa científica e suas aplicações devem ser compartilhados com a sociedade como um todo e, no âmbito da comunidade internacional, em especial com países em desenvolvimento. (Declaração Universal sobre Bioética e Direitos Humanos)
          
          A 15 dias de comemorarmos sete anos de pesquisas com células-tronco no Brasil, é de extrema necessidade idealizarmos uma maneira adequada de informar e oferecer suporte psicossocial aos pacientes de doenças degenerativas e a seus familiares. 
          A aprovação da Lei de Biossegurança, mais propriamente o artigo 5º, que trata das pesquisas com células-tronco embrionárias, foi um grande passo rumo a um país com mais possibilidades científicas, tecnológicas, médicas e econômicas.
            Tal aprovação foi um caso emblemático de mobilização social, que teve início no mês de janeiro do ano de 2003, quando a mídia – um elemento de extrema significância no processo democrático – ainda não havia tomado conhecimento de que este assunto, células-tronco, pudesse adentrar na esfera política brasileira.
            Muito embora tateando por acessar um universo ainda desconhecido, centenas de familiares e pessoas afetadas pelas mais diversas patologias, genéticas ou adquiridas, iniciaram ações para que as pesquisas com células-tronco embrionárias fossem aprovadas no Brasil.
            Porque se a maneira de se pesquisar, se a ciência em si, não era de conhecimento desta população, a esperança era uma velha companheira, colada em seus corpos, mentes e corações desde um diagnóstico, um acaso, um acidente automobilístico, um acidente genético, uma bala mirada, uma bala perdida encontrada nas costas de alguém.
            A esperança era, e é, uma língua conhecida e dominada por possivelmente mais de 25 milhões de brasileiros; e as palavras células-tronco e cura ficaram, nos últimos oito anos, muito próximas neste idioma.
            Suspendendo todos os aspectos políticos, jurídicos e econômicos – suspendendo-os e não os eliminando - que compuseram todo o processo da aprovação da Lei de Biossegurança, foi, em grande medida, a mobilização da sociedade civil que fez com que esta lei fosse aprovada.
            Contudo, e é este o tema central sobre o qual devemos nos debruçar, esta população guerreira, foi abandonada.
            O assunto “pesquisas com células-tronco” foi minguando e esta escassez contribuiu para que algo grave e efervescente tivesse início: a oferta de cura e tratamentos não aprovados pela comunidade científica.
            O termo vulgar, charlatanismo, é forte, mas seu significado - exploração da credulidade pública, inculcando ou anunciando cura por meio secreto ou infalível – precisa ser evidenciado para que possa ser combatido.
            Estejamos atentos, entretanto, que a situação atual é muito delicada; a força de vontade de tantas pessoas tem origem na fragilidade em que se encontram, pela deficiência, pela doença, pela finitude evidenciada.

            A esperança é o que move e isso deve permanecer.

            Toda situação de adoecimento comporta uma possibilidade de esperança, sempre; e quando efetivamente não a houver, o paciente haverá de inventá-la, não cabendo ao psicólogo nenhuma intervenção retificadora em nome de uma presumível realidade. Essa esperança deve ser mantida. (SIMONETTI, 2005, p.125)

            Foram a esperança e o inconformismo que deram coragem, criatividade e fizeram de um país católico um local repleto de possibilidades científicas.
            O tabu se desfez, mas a prática da enganação ganhou espaço. Nas comunidades de pacientes na internet pede-se dinheiro para ir à China, à Ucrânia.

            Somente a informação e o atendimento psicossocial poderão propiciar às pessoas com deficiência mais qualidade de vida, a migração a tratamentos inexistentes é muito mais complexo que um problema econômico, além de ser, evidentemente, um problema de saúde pública.
            Proponho que falemos sobre o tema, proposta justificada pela relevância social e porque a falta de informações é, em última análise, uma violação à Declaração Universal sobre Bioética e Direitos Humanos.

Referências bibliográficas:
Declaração Universal sobre Bioética e Direitos Humanos, Unesco, 2006. Disponível em http://unesdoc.unesco.org/images/0014/001461/146180por.pdf acessado em 30/10/2011

Lei nº 11.105, de 24 de março de 2005. Disponível em http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2004-2006/2005/Lei/L11105.htm acessado em 30/10/2011
SIMONETTI, A. 1959 - Manual de Psicologia Hospitalar: o mapa da doença. São Paulo: Casa do Psicólogo, 2004.


segunda-feira, 6 de fevereiro de 2012

Rumo aos 40


Outro dia estava em uma loja e o rapaz que me atendia perguntou se eu poderia aguardar. Falei: "Claro, não é nenhuma sangria desatada".
 "O quê?", perguntou o rapaz. Repeti, achando que, por conta da confusão, ele não tinha me escutado. Quando ele perguntou de novo percebi que havia escutando sim, mas pela primeira vez!  

E lá foi esta para a minha listinha rumo aos quarenta, 40 anos, lá onde dizem que a vida começa.

Manhã chuvosa de consulta médica...consulta médica pelo visto é um habitué com o fim dos "anos 30". Habitué - essa o rapaz da loja também nunca ouviu, muito provavelmente! Mas como eu ia dizendo, estava na consulta e o médico argumentou da seguinte forma o procedimento sugerido: "Na sua idade é o mais indicado".
Na minha idade o quê, qual? Por que sou muito velha ou muito nova para outro procedimento?
Não quis nem perguntar!

Eu lembro que meus 20 anos duraram muito tempo, não acabavam mais (e nunca reclamei disso!), mas com os 30 foi tão diferente, bateu um medo, uma sensação estranha, medo de fazer algumas coisas e parecer ridícula, medo de tudo passar rápido, e foi justamente, aos 35 que comecei a estudar de novo, fazer outra faculdade, sensação que mais parece uma receita, com vários ingredientes, ora feliz por ter muito mais certeza (não que não haja dúvidas!), ora chateada por ter demorado tanto para esta decisão.

De todo modo é interessante, a gente sente tudo de forma mais real, aprendemos coisas que já vivemos, reaprendemos.

Eu sou muito encanada com esta questão de idade, fico me policiando, vocês têm isso também?

Tomara que com eles, com os 40, venham também mudanças bonitas, mudança de profissão e, espero, menos preocupação com a idade, tomara que venha esta coisa bacana que vemos nos filmes, isso de mulher resolvida!

É isso aí, divertir-se é a palavra! Dia desses um professor comentou que muitos alunos não viram o Ayrton Senna competir! Nunca havia pensado sobre isso, eu que praticamente vi o Emerson Fittipaldi competir!

Não tem jeito, nem volta, tudo parece alertar que os quarenta estão chegando por aí, realmente caiu a ficha!

Caiu a ficha! Esta todos conhecem?

Beijos e mais especiais a toda turma dos “enta”!

Andréa